Rondônia,21/09/2018
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Silo cincho: conheça a técnica de armazenagem e conservação de forragens

O período de escassez de alimentos para o gado, especialmente em épocas de seca, prejudica a vida dos agricultores e gera prejuízos pela diminuição na produção de leite. Mas, de acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), uma técnica simples, segura e de baixo custo, conhecida como “silo cincho”, tem beneficiado os produtores rurais. Além da queda na produção, em tempos de seca o produtor rural se depara com a perda de peso dos animais, a diminuição da fertilidade, o enfraquecimento geral do rebanho e até mesmo a morte de alguns animais. Diante desse cenário, a pouco menos de dois anos, o Incaper, por meio do escritório local (EDLR) de Ecoporanga, incentiva produtores de leite de pequenas e médias propriedades a técnica da ensilagem com o silo cincho.

Silo cincho

A tecnologia é de origem italiana e funciona a partir de silos, que são construções para o armazenamento e conservação de forragens, com baixo custo de produção. O silo cincho requer menos máquinas e mão-de-obra e, segundo o Incaper, é uma boa opção para conservar forragens volumosas para o preparo a alimentação dos animais do campo nos períodos de seca. Sendo assim, é indicado para criadores com poucos animais, que têm a necessidade de armazenar a produção de massa de suas capineiras, ou pequenas lavouras de milho, sorgo, milheto, rama de mandioca, camerom e cana-de-açúcar.

O zootecnista e extensionista do Incaper, Lázaro Samir Abrantes Raslan, do Escritório Local de Desenvolvimento Rural (ELDR) do Incaper em Ecoporanga, foi reconhecido e premiado em 1º lugar na Categoria “Assistência Técnica e Extensão Rural”, pelo projeto “silo cincho” durante o Prêmio Destaque do Incaper, em 2016.

Como fazer o silo cincho

Existem vários tipos de silo, mas os mais frequentes são os horizontais, do tipo trincheira ou da superfície. Existem também os cilíndricos verticais do tipo cisterna ou cincho e cilindros horizontais, como o silo bolsa. O silo cincho tem uma superfície com menor capacidade de armazenamento com média inferior a 10 toneladas de silagem e deve ficar a aproximadamente 40 centímetros abaixo do solo e ter uma altura cerca de 1,70 metros.

A forma que é utilizada pelo escritório local do Incaper é composta por duas chapas metálicas que somadas formam um círculo de aproximadamente 2,5 metros de diâmetro e 0,5 metro de altura, para facilitar o seu transporte e demonstração de uso em palestras e dias de campo. O tamanho depende da especificidade de cada produtor, sendo mais recomendado até cinco metros quando se usa a lona de 12 metros de largura. Segundo Lázaro, sua metodologia é fazer um semi-confinamento e o material é usado diariamente durante a 1ª e a 2ª ordenha dos animais. Além das inúmeras vantagens da técnica, o excedente do campim pode ser usado para a comercialização o que é mais uma fonte de renda para os produtores.

Conservação do valor nutritivo

O silo cincho conserva os alimentos reduzindo o pH por meio da produção de ácido láctico pelas bactérias anaeróbicas. Nesse processo são usados inoculantes, que são borrifados durante o processo, para aumentar a flora bacteriana e que tem o objetivo de conservar o silo e o seu valor nutritivo original da forragem, além de evitar que bactérias, fungos e mofos se desenvolvam. De acordo com a Incaper, o material é cortado 12 horas antes para elevar a matéria seca de 30{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} a 35{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da}, picado em ensiladeira com espessura de 1 a 2 cm e depois que a forma vai sendo cheia com o material volumoso e compactada com os próprios pés do próprio produtor a forma sobe naturalmente sozinha.

Períodos de estiagem

O extensionista, que acompanha a prática de aproveitamento das capineiras nas propriedades, lembrou da seca que atingiu o estado e prejudicou os produtores capixabas. “Eles viram rapidamente a produção de leite cair e até mesmo a morte de animais, pela falta de pastagem natural, ou em forma de silagem, além do aumento dos custos”. Segundo ele, em casos assim, o agricultor familiar não tem recursos para gastar com os maquinários e nem viabilidade econômica para ensilar as pequenas quantidades de volumoso. “Essa ferramenta permite que eles alimentem os seus animais na seca, diminuam custos e a sazonalidade da produção, viabilizando a produção de leite. Essa metodologia é muito utilizada no norte de Minas Gerais, sertão da Paraíba e da Bahia pelos produtores rurais de base familiar”, afirma o especialista.

Aumento da produtividade

No Córrego Oswaldo Cruz, em Ecoporanga, o produtor de leite, o senhor Elis Pegoretti, conta apenas com a ajuda do seu filho Paulo Roberto para reforçar os cuidados com os animais. com a produção de leite e também até a entrega em um laticínio da região. Ao todo, a propriedade tem 16 vacas – sendo 12 em lactação e quatro secas, além de seis novilhas, 12 bezerros e um touro reprodutor. Por entre os piquetes, os animais podem desfrutar o ar fresco em uma área de descanso, feita com lona de estufa na parte de cima para a proteção do sol e sustentada com pau de eucalipto nas laterais.

Com o incentivo do Incaper, a família adotou a silagem. Pai e filho preparam o silo com Cameron, cana-de-açúcar e futuramente mandioca. Desde janeiro deste ano, a cada 70 dias, cerca de 15 toneladas de comida para os animais são ensiladas, dependendo do ponto de colheita do Cameron (1,70m). Até o momento, Já são mais de 35 toneladas de silagem armazenada.

“Antes de usarmos o armazenamento de volumoso na nossa propriedade, A média das vacas era cerca de 3 a 5 litros e, aproximadamente, 50 litros de leite por dia e hoje em dia são em média 8 a 10 litros por animal, com os animais consumindo somente volumoso, e a maioria já para secar. A nossa renda aumentou cerca de 40{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} por mês”, conta Pegoretti. Agora, a produção mínima de leite chega a cerca de 80 a 90 litros por dia, nos períodos de produção mínima e, quando chega a sua máxima, são cerca de 140 a 160 litros recolhidos. “Até o tempo de cio dos animais mudou. Depois que adotamos a silagem nós vimos os animais dos vizinhos entrarem no cio só de oito a nove meses, no máximo. Já os nossos, por conta da alimentação reforçada, precisam apenas de 45 dias a 60 dias”, explicou o produtor.

Silagem de mandioca

Na propriedade hoje também é possível perceber o planejamento da forragem para os animais. “O rendimento é justamente termos todos os dias ponta de capim para a alimentação, para a geração de leite. Hoje eu tenho a satisfação de dizer que o único obstáculo pra essa propriedade é a falta de mais animais e não de alimento. Poderíamos ter vários outros animais aqui que não faltaria comida”, afirmou Lázaro.

Além do leite e da cana-de-açúcar, os Pegoretti entregam café pilado para algumas cooperativas e há quatro meses estão investindo nos pés de mandioca nas áreas degradadas também para silagem. “A mandioca é recomendada para a alimentação animal, uma vez que tem mais de 30{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} de proteína, sendo uma dieta perfeita quando se usa o farelo de mandioca – 60{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} de raiz aérea e 40{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} de folha, formando um concentrado com quase 22{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} de proteína que pode substituir o milho utilizado no concentrado e diminuir pela metade a soja”, explicou Lázaro.

SF Agro

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