Rondônia,18/11/2018
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Quais são os principais agentes ambientais causadores de mastite?

Esse tipo de contaminação também se caracteriza por uma alta resposta em termos de células somáticas, ou seja, alta contagem de células somáticas

A mastite ambiental é causada por bactérias presentes no ambiente da vaca. Geralmente, essas bactérias estão associadas à presença de matéria orgânica, fezes barro, ou seja, todos os locais onde a vaca pode entrar em contato e contaminar os tetos.

Dentre as bactérias que causam a mastite ambiental, destacam-se três grupos principais:

1) Streptococcus ambientais

Esse grupo, diferentemente dos Streptococcus agalactiae, tem origem principalmente no ambiente em que a vaca fica. Nesse grupo, destacam-se duas espécies: Streptococcus uberis e Streptococcus dysgalactiae.

Essas bactérias têm a característica de serem gram positivas, com origem no ambiente, que geralmente colonizam a pele do teto e, por uma forma oportunista, invadem o canal do teto, gerando uma resposta inflamatória. Isso pode gerar casos clínicos ou subclínicos. Esse tipo de contaminação também se caracteriza por uma alta resposta em termos de células somáticas, ou seja, alta contagem de células somáticas (CCS).

Quanto ao tratamento, não se recomenda o tratamento de casos de mastite subclínica. Recomenda-se aguardar a secagem para que esses casos de mastite sejam tratados.

Os casos de mastite clínica precisam ser tratados.

Alguns estudos mostrem que essas bactérias podem ter comportamento contagioso. Isso significa que, em uma parte das vacas, esses dois tipos Streptococcus podem se adaptar à glândula mamária, causando uma mastite crônica, de forma que esse animal se torna uma fonte de infecção para outras vacas. Assim, esses agentes podem ter uma contaminação contagiosa e ambiental, mas o mais conhecido em termos de epidemiologia e transmissão é que essas bactérias são transmitidas a partir do ambiente.

2) Coliformes

Dentre o grupo dos coliformes, destacam-se duas espécies principais: Escherichia coli e Klebsiella ssp. Esses dois agentes são Gram-negativos e têm como origem a matéria fecal, que pode contaminar a cama, o ambiente, a água e, em contato com o teto, de uma forma oportunista, causar mastite.

Uma das características desse grupo é que essas bactérias possuem uma toxina em sua parede celular que causa uma resposta inflamatória aguda na vaca. Esses são, portanto, os casos de mastite moderado ou grave, podendo até levar ao óbito do animal. Cerca de 5% dos casos clínicos de mastite de uma fazenda leiteira são desse tipo mais graves, sendo a grande maioria desses casos causados por coliformes.

Na grande maioria dos casos de infecção leve por Escherichia coli, a vaca consegue responder sozinha à infecção, ou seja, ela tem sintomas de mastite (visual ou não), mas se recupera sozinha.

Já a Klebsiella apresenta casos de mastite mais graves e a resposta ao tratamento é mais baixa.

Um ponto interessante sobre a Escherichia coli é a possibilidade de vacinação. A vacina J5 é recomendada em rebanhos que tenham uma alta incidência de mastite causada por Escherichia coli. A vacina, nesses casos, é uma boa medida de controle para prevenção e redução da gravidade dos sintomas causados por essa bactéria.

3) Staphylococcus coagulase-negativa

Essas bactérias têm uma patogenicidade menor do que a Staphylococcus aureus, causando menor grau de lesão e de perdas em termos de produção de leite. Há, inclusive, estudos que mostram que esses agentes não alteram a produção de leite.

Essas também são bactérias gram positivas, mas com uma resposta menor na CCS.

Tem-se observado um grande aumento da frequência desses agentes em vários países do mundo, inclusive no Brasil, e a presença desses agentes tem sido objeto de estudos nos últimos anos. Não existe ainda uma definição sobre medidas específicas para esse tipo de agente causador de mastite. Trata-se de agentes oportunistas e muito relacionados ao período pós-parto das vacas.

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