Rondônia,10/12/2019
DESTAQUES

Preço da carne não vai voltar a patamar anterior, diz ministra

Tereza Cristina disse que a alta das exportações para a China tiveram impacto na valorização da carne; o que também ajudou a puxar o aumento, no entanto, foi a falta de reajuste nos preços nos últimos três anos.

O preço da arroba do boi gordo, que em São Paulo teve aumento real de 35% em um mês, não vai mais retornar ao patamar anterior. A afirmação é da ministra

 

Em entrevista ao Estado, Tereza Cristina disse que a alta das exportações para a China teve forte impacto na valorização da carne em todo o País. O que também ajudou a puxar o aumento, no entanto, disse a ministra, foi a falta de reajuste nos preços nos últimos três anos.

O presidente Jair Bolsonaro, em transmissão pela internet, declarou que a ministra garantiu que, daqui a três ou quatro meses, o preço da carne volta à normalidade.

Já o Ministério da Agricultura, em nota, afirmou que está acompanhando de perto a situação e acredita que o mercado “irá encontrar o equilíbrio”. “Não é papel do ministério intervir nas relações de mercado. Os preços são regidos pela oferta e procura. Neste momento, o mercado está sinalizando que os preços da carne bovina, que estavam deprimidos, mudaram de patamar”, afirmou, em nota.

Abastecimento 

Algumas redes de supermercados têm afirmado que a exportação de carne tem limitado a oferta da proteína no País, além de inflacionar o produto. A rede paraense Líder colocou cartazes em suas 20 lojas de supermercados alertando os consumidores sobre problemas com o abastecimento de carne bovina, a alta dos preços e a falta dos produtos nas lojas.

Nos avisos, é informado que os frigoríficos sobem os preços diariamente alegando aumento nas exportações. “Recebíamos tabelas de preços dos fornecedores duas vezes por mês”, diz Oscar Rodrigues, diretor do Grupo Líder. “Agora, elas chegam de dois em dois dias, com a carne sempre mais cara.”

Segundo ele, o grupo abateu todas as cabeças de gado de suas fazendas para minimizar o impacto da alta do preço. Havia cerca de 1000 cabeças que estavam em condições de abate. “Nossas margens estão bastante reduzidas e fizemos o informativo em respeito ao cliente que, quando perceber o aumento, pode se sentir enganado”, diz Rodrigues. “Nosso cliente é muito fiel e prezamos pela transparência.”

A ministra nega que esteja ocorrendo falta de oferta para o mercado nacional. “Não é verdade [que haja falta de carne]. Primeiro, o Brasil tem 215 milhões de cabeças de gado. Então, não é um rebanho para acabar amanhã. Segundo, realmente o mercado chinês mexeu com as exportações, e não só da carne brasileira, mas da carne argentina, paraguaia, uruguaia. Todos esses mercados sentiram. O mundo está sentindo o impacto. É muito grande a necessidade da China”, disse a ministra.

Tereza disse que o Brasil não está entre os países que mais têm frigoríficos habilitados para processar a carne, mas disse que a China habilita frigoríficos, o que facilita a exportação do boi de pé, sem ser abatido.

“Além de o Brasil abrir as exportações, temos que lembrar que o boi tinha um preço represado há três anos. O pecuarista estava tendo prejuízo nesse período”, declarou a ministra. “Antes, o produto vendia uma arroba pelo preço de R$ 140, em média. O que aconteceu é que, nesse primeiro momento de abertura, com a China pagando um preço muito bom, houve esse momento, digamos, de euforia. Em São Paulo, uma arroba está sendo vendida a R$ 231.”

Outros fatores 

A ministra da Agricultura chamou a atenção, ainda, para um atraso na produção neste ano. Outro evento aconteceu também é que vivemos uma seca prolongada. Como a arroba estava muito barata, pouca gente tratou boi, porque não valia a pena. O pasto demorou, então esse boi está um pouco atrasado”, disse.

Em menos de três meses, o contrafilé registrou índices de aumento acima de 50% e o coxão mole, de 46%, no preço de custo que acaba sendo repassado ao consumidor, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). A arroba do boi gordo em São Paulo teve aumento real, já descontada a inflação, de 35% em um mês – chegando a R$ 231 na última quarta-feira, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). É o maior valor da série histórica, iniciada em 1994.

Nesse cenário, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) recomenda que os comerciantes invistam na oferta de outros tipos de proteína (suínos, pescados, ovos e aves), como opções à carne bovina. Além disso, a entidade reconhece que o aumento de preços chegou ao varejo, com altas expressivas em alguns tipos de corte.

Perguntada se estava jantando um bife enquanto dava a entrevista, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, respondeu, em tom de brincadeira. “Estou comendo frango. Agora, é só frango.”

Qual é o motivo do aumento da carne?

Alguns dos fatores podem ter influenciado no aumento do preço do boi. São eles:

  • O aumento da exportação de carne para a China para recompor uma lacuna deixada no país pelo surto de Peste Suína Africana (PSA);
  • Demanda interna fortalecida pelas festas de fim de ano
  • Preço não foi reajustado nos últimos três anos;
  • Atraso na produção;
  • Seca prolongada e
  • Antes, a arroba do boi estava barata, por isso poucas pessoas trataram o boi.

Por O Estado de S.Paulo,

Compartilhar
Mostrar mais

Notícias relacionadas

Close