Rondônia,20/01/2020
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Trabalho de monitoramento permite entender dinâmica de carbono em florestas nativas plantadas na Amazônia

o monitoramento é feito para verificar o quanto essas árvores plantadas prestam de serviços para além da proteção do solo e água,  como a questão do chamado sequestro de carbono

As florestas têm papel fundamental para a vida na Terra. Elas são responsáveis pela proteção dos rios, solo e da fauna, entre outras funções. No contexto da agricultura, elas funcionam como verdadeiras bombas d’água que produzem chuvas, alimentam os rios. Como todo produtor sabe, a água é um dos bens mais preciosos no mundo agrícola. Por isso a importância de se proteger e recuperar as áreas de reserva legal e de proteção permanente.

A recuperação dessas áreas é um trabalho executado há mais de 10 anos pelo Centro de Estudos Rioterra em Rondônia, por meio do projeto Semeando Sustentabilidade, que tem patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental.

Mas não é simplesmente recuperar áreas. Ao longo desses anos, a organização preza pelo constante monitoramento desse trabalho, com a realização de estudos e pesquisas que permitem melhorar os parâmetros de recuperação de área e um melhor entendimento e planejamento de uso e ocupação dos solos na região.

Entre as pesquisas realizadas ao longo desses anos, destaca-se os estudos de carbono, pelo CES Rioterra em parceria com a Universidade Federal do Paraná, através do Centro de Excelência em Pesquisas sobre Fixação de Biomassa (Biofix) e Universidade Federal de Rondônia, através do grupo Geociências.

O carbono está presente na biomassa, que são as árvores vivas, na necromassa, que são os restos de vegetação caídos, e no solo. Os pesquisadores vêm monitorando o sequestro e a estocagem de carbono nos solos e biomassa em áreas em processos de recuperação em Rondônia e outros serviços ambientais promovidos a partir deste trabalho.

Na última atividade de campo, realizada nos municípios de Itapuã do Oeste e Cujubim, os pesquisadores coletaram amostras de necromassa (tocos, galhos, folhas e outras matérias orgânicas em decomposição) em uma área de restauração florestal com cerca de 10 anos. “Há uma grande diversidade de espécies por aqui e isso recupera o habitat que foi perdido com o avanço da pastagem e outras culturas agrícolas, como a soja”, explica o engenheiro florestal, professor e pesquisador da UFPR, Carlos Alberto Sanquetta, coordenador dos estudos de biomassa vegetal.

Ainda segundo ele, o monitoramento é feito para verificar o quanto essas árvores plantadas prestam de serviços para além da proteção do solo e água,  como a questão do chamado sequestro de carbono, “que é uma forma que a natureza encontra para retirar poluentes, gases de efeito estufa e compostos que vêm da agricultura, da indústria”, explica. Em outras áreas na mesma região, foram coletadas também amostras de pastagem e de plantio de soja para quantificar o estoque de carbono também nestes cenários.

As florestas, depois de um certo tempo, entram em equilíbrio, isso significa que ao longo dos anos vão reduzindo a capacidade de sequestrar carbono e passam a ser grandes depósitos dele, explica o professor. “Essa área, daqui há uns 10, 20, 30 anos vai ter muito mais carbono. Pela estimativa que fizemos, com 40 anos, essa floresta plantada vai ter algo [estoque de carbono] mais parecido com uma floresta nativa”, estima Sanquetta.

O benefício principal dos trabalhos de recuperação de áreas degradadas e/ou alteradas, seja em reserva legal ou áreas de proteção permanente, realizada pelo CES Rioterra em parceria com os agricultores familiares é justamente promover a qualidade de vida e da produção, de forma sustentável, tanto para quem produz quanto para quem consome. “Um produtor não está plantando só soja, sua pecuária, ou outra atividade produtiva, além de se regularizar ambientalmente, ele também contribui num contexto de paisagem. Se todo mundo fizer de uma forma organizada, não predatória, vai ter água, vai ter fauna, e menos poluentes”, finaliza Carlos Sanquetta.

Produção Científica

O CES Rioterra preza pelo intercâmbio entre as atividades práticas no campo e a academia, por isso a produção científica é um importante item trabalhado dentro do projeto Semeando Sustentabilidade. Nesses 10 anos, já foram mais de 20 publicações científicas, além de participação em seminários, colóquios e outros eventos acadêmicos nacionais e internacionais, como forma de compartilhar conhecimentos e trazer novas perspectivas aos trabalhos diários.

Através do projeto, já foram realizadas cinco edições do Seminário Internacional “Perspectivas Florestais para Conservação da Amazônia”, com a participação de centenas de estudantes e convidados do Brasil e diversos países, promovendo discussões e a divulgação de pesquisas com foco na conservação da Amazônia e mitigação dos impactos climáticos.

Fonte: Assessoria de Comunicação

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