Rondônia,12/07/2020
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Porta-enxerto de café resistente a nematoides está em fase final da pesquisa

Pesquisa ainda não está finalizada e encontra-se no estágio de caracterização dos clones

Está em fase de conclusão um novo porta-enxerto constituído por clones com resistência múltipla a diferentes espécies de nematoides, que comprometem o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da planta, levando à redução da produtividade das lavouras e à queda no preço do grão. A pesquisa é financiada pelo Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

De acordo com a Secretaria de Agricultura de São Paulo, o novo porta-enxerto será usado no plantio de cultivares copa de café arábica, que é suscetível às três espécies de nematoides. É preciso cuidar do arábica porque este é o tipo de café usado na casa dos brasileiros. Os estudos conduzidos no IAC confirmaram a resistência múltipla de cada um dos clones do novo porta-enxerto. Os pesquisadores então selecionaram as melhores combinações clonais compatíveis com base na alta frequência de plantas com resistência simultânea às três espécies de nematoides. Somadas a essas características, foram buscados também aspectos agronômicos como potencial produtivo, ciclo de desenvolvimento, maturação e tamanho de frutos e sementes, entre outros.

O pesquisador do IAC, Oliveiro Guerreiro Filho, ressalta que para a seleção do novo porta-enxerto foi utilizada a espécie Coffea canephora, que possui resistência simultânea a algumas raças de nematoides das galhas radiculares. “Os cafeeiros debilitados são menos produtivos e seus frutos e grãos são pequenos, com menor valor de mercado”, comenta o pesquisador sobre os impactos dos nematoides.

Um porta-enxerto tolerante ou resistente aos nematoides é extremamente importante, diante do difícil controle do problema. “Em casos severos, especialmente relacionados à incidência de nematoides das galhas radiculares, a lavoura acaba sendo eliminada”, afirma Guerreiro. Como a erradicação da praga é praticamente impossível, as plantas vão aos poucos morrendo e as ‘reboleiras’, que são manchas de solo onde são observadas plantas com sintomas, vão aumentando nas lavouras.

“A pesquisa ainda não está finalizada e encontra-se no estágio de caracterização dos clones a partir dos descritores mínimos para o cafeeiro”, diz. Os próximos passos serão registrar o novo material e protegê-lo junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), além da multiplicação vegetativa destinada à implantação de campos de produção de sementes.

Nos próximos quatro anos, o novo porta-enxerto será também avaliado em relação à resistência a novas populações e raças de nematoides. Esta nova fase já vem contando com a colaboração das pesquisadoras Larissa de Brito Caixeta Vasconcelos, bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES/Programa Nacional de Pós-Doutorado) e Masako Toma Braghini, do IAC, além de Cláudio Marcelo Gonçalves Oliveira, pesquisador do Instituto Biológico.

O projeto é desenvolvido pelo IAC há quase 40 anos e tem a participação de alguns produtores e viveiristas. Atualmente, o Instituto Biológico, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), colabora na identificação de espécies de nematoides e participa na avaliação da resistência das plantas a nematoides das galhas radiculares, que têm ocorrência muito frequente nos cafezais paulistas e brasileiros.

Por: AGROLINK –Aline Merladete

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