Rondônia,01/12/2020
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Arroz irrigado ganha espaço no sistema rotacionado

A adoção de tecnologias como as de pivôs e softwares para irrigação para tornar a atividade mais sustentável

saca de arroz segue acima dos R$ 100 no Rio Grande do Sul, estado que responde por 70% da produção nacional. O bom momento animou os produtores que devem plantar mais de 968 mil hectares, um avanço de 2,4%. A colheita no país, somando sistemas de sequeiro e irrigado está prevista em 10,8 milhões de toneladas. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Em 31 de outubro é celebrado o Dia Internacional do Arroz. O grão é originário do Japão, onde é cultivado há milênios. Acredita-se que seu cultivo tenha mais de sete mil anos. Os cinco maiores produtores mundiais de arroz são: China, Índia, Indonésia, Bangladesh e Vietnã. O grão é considerado pela Organização Mundial de Alimentação e Agricultura (FAO) como um dos alimentos mais importantes para a nutrição humana e terceiro mais consumido no mundo.

Com as adversidades do clima a forma de cultivar também vem mudando. O tradicional inundado vem perdendo espaço para o cultivo com uso de pivô central de irrigação. As lavouras também vem descobrindo como se rentabilizar fazendo a rotação com soja ou gado, no sistema Integração Lavoura Pecuária (ILP). Segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga)  na Metade Sul gaúcha 70% dos orizicultores também convivem com a soja na sua propriedade. A rotação com soja pode diminuir em até 15% os custos com a lavoura de arroz.

Uso de pivô ganha espaço

Um exemplo é o produtor Felipe Sangalli Dias, engenheiro agrônomo, sócio-proprietário e gestor da Fazenda Santa Júlia, em Aceguá (RS). Depois de muitos anos produzindo por inundação, fez uma pausa na produção e retomou o cultivo em 2019 utilizando os pivôs para irrigação.

Na fazenda com área própria de 420 hectares e mais 133 hectares arrendados, o produtor e o irmão optaram por parar com o cultivo do arroz em 2012. “De lá para cá, nós seguimos fazendo pecuária, depois introduzimos a cultura da soja, e começamos a produção de sementes forrageiras. No ano passado, resolvemos voltar com o arroz, numa área mais restrita, com uma lavoura menor e irrigada por aspersão e pivô central”, conta Dias.

Em 2019 eles retomaram com a orizicultura com o intuito de realizar a rotação de culturas com a soja. Dias possui três pivôs nas áreas. O primeiro equipamento foi adquirido em 2016 para utilização em outros cultivos, como a soja. “Fazendo as contas, tudo isso permitia uma redução de custo, mesmo com a questão mercadológica complicada, eu tenho um custo de lavoura de arroz de R$ 2.000/ha a menos que o padrão, eu achei assim que poderia ter rentabilidade. Foi aí que eu resolvi arriscar e fazer”, relata o orizicultor.

Segundo o Irga os custos e tecnologia de produção giram em torno de R$ 7.500/ha, enquanto Felipe em 2019, gastou R$ 5.300. Ou seja, para ele, mesmo se o cereal estivesse com vendas à preços baixos ele estaria com uma rentabilidade boa. “Essa questão de mercado, foi também sorte. Eu fiz o planejamento da lavoura, esperando um preço de R$ 42, mas o faturamento foi em média de R$ 60 por saca, algumas negociadas até a R$ 97. Um preço histórico”, celebra.

O orizicultor utiliza os pivôs da multinacional Lindsay e uma ferramenta chamada FieldNET que o ajuda no manejo remoto da irrigação nos mais de 30 hectares plantados nesta safra. “Essa diferença toda de custo que obtive na safra passada, muito se deve ao método de irrigação. No tradicional eu preciso de bastante pessoas para conduzir a água. Já com o pivô, eu programo no celular, coloco a irrigação e está feito. Eu mesmo faço esse serviço, não preciso de um terceiro para fazer isso”, destaca.

*com informações da assessoria de imprensa

Por: AGROLINK –Eliza Maliszewski

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